Ainda sei o sobrenome de todas elas, carrego este sino em minha mente a tirar minha paz por onde quer que eu vá, todas tão perfeitas em suas imperfeições, tão inocentes em seus pecados que conquistaram seus lugares em minha mente, sobrenomes lindos, cheios de significados ocultos, cheios de vida e graça que conduziram minha vida até aqui, até outros sobrenomes a serem imortalizados em minha curta existência... Sobrenomes.
Hoje me peguei divagando entre pernas e lábios cheios de amor, de desejo, afinal se poucas coisas me lembro dessa vida, o que me resta faço questão, mesmo que me maltrate em remorso ou saudade. Confesso! Gosto de saciar minha nostalgia com noites repletas de sexo, maconha e blues. Para muitos a visão de um inferno desenhado, para outros o paraíso dos sábios, noites quentes regadas de suor e sêmen, bebidas fortes e lençóis baratos.
Agora me vem um olhar a mente, são tantas a brincar com minhas lembranças, sempre lépidas, fagueiras, cheias de paixão... Porem apenas algumas se destacam meio a tantas belezas peripatéticas.
Aquelas que chegam a meu coração, feito quem escala o Everest, chegam até a contemplar uma linda imagem divertida, mas logo a avalanche trata de sufocar cada qual neste meu particular mar de incertezas.
Me lembro do sobrenome daqueles olhos, pois seu nome me envolveu num levante a não tocar o chão. Os lábios quentes, o corpo de serpente a curiar meu cheiro, roçando a pele doce aos pelos de minha barriga, caçando meus olhos enquanto se espremia em minha virilha, um sobrenome imponente e uma boca potente de batom lilás.
Em pouco tempo já tinha conhecido sua família e com isso tínhamos mais um motivo para fazer sexo em situações perigosas ou embaraçadoras... Na sala assistindo filme junto a seus pais, coisa que jamais vou esquecer, pois ela me chupou naquele dia, sei que pode parecer uma forma bizarra de se obter prazer... Mas somos todos bizarros.
Ainda consigo lembrar o cheiro que exalava de sua Xãna, sempre gostei do nome Xãna, até porque nunca consegui fazer relação logica entre o nome e a pessoa... Chavasca por exemplo já tem logica, afinal ela é a chave que aciona o mundo, e uma chave dessa só pode ser uma Chavasca.
Ela era firme e me sugava para dentro num balé audacioso e como num ritual sagrado gemia meu nome para que eu soubesse para onde voltar se acaso me perdesse durante a missão. Sempre me olhando nos olhos, sempre cheia de fúria sexual que durante o coito se transformava.
Era uma no flerte, outra nas preliminares, outra na transa, outra ao gozar... Era muitas, e a cada vez eu me apaixonava por uma em especial.
Saudade daquele sobrenome.